Vamos ver quem é o mais alto da turma? Qual é a mochila mais pesada? Quantos metros têm as paredes da nossa classe? Na Educação Infantil, é bastante comum propor às crianças atividades como essas. Sem dúvida é uma boa maneira de introduzir o trabalho com grandezas e medidas. Porém, geralmente não há aprofundamento do conhecimento. Para que isso ocorra, deve haver muita discussão entre a garotada e, depois, intervenções do professor para organizar as informações. “É preciso que a abordagem vá além e o conhecimento seja sistematizado”, diz Priscila Monteiro, formadora do projeto Matemática É D+, da Fundação Victor Civita.
Foto: Rogério Albuquerque
Ilustração: Carlo Giovani
MEDIDAS-PADRÃO - Para verificar volumes, as crianças manuseiam xícaras e diversos recipientes dosadores
Medir é comparar grandezas da mesma natureza. No ensino desses conteúdos há três objetivos principais. O primeiro é fazer com que as crianças saibam o que será mensurado: o peso de um objeto, a capacidade de um recipiente, o comprimento de um espaço ou o tempo. O passo seguinte é escolher o instrumento adequado a cada situação para, por último, decidir que unidade expressa o resultado. Para atingir essas metas, o processo de aprendizagem fica mais completo quando o trabalho é iniciado com a valorização e o uso de métodos não-usuais – na verdade, já utilizados pelas crianças em situações cotidianas.
“O raciocínio em cima de medidas não-convencionais ajuda a entender que, dependendo da situação-problema, às vezes há necessidade de uma resposta exata e, em outras, dá para resolver com uma aproximada”, diz Célia Maria Carolino Pires, professora do Departamento de Matemática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e coordenadora dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (leia mais na entrevista.
Ladrilhos e copos
Isso significa que, antes de falar em litro, quilograma e metro, é imprescindível usar, por exemplo, ladrilhos para comparar comprimentos, copos para volumes, e palmas em música para quantificar o tempo. Métodos não-convencionais, aliás, foram a origem dos sistemas de medida (conheça mais no quadro da página 79). É possível desenvolver diversas atividades exploratórias. Alguns exemplos:
Comparar o tamanho do passo de uma criança com o de outra ou com o de um adulto. Os alunos perceberão as diferenças, mas somente com a intervenção do professor conseguirão constatar que, quanto maior a unidade (o passo), menos unidades são necessárias para percorrer determinada distância. E vice-versa.
Pensar diferentes organizações para as mesas da sala de aula sem deslocá-las. Ao estimar que o piso de um lado da sala tem 30 lajotas e que as carteiras ocupam quase três delas, fica fácil concluir que não se podem colocar dez mesas em uma só fileira (vai faltar espaço para circular).
Determinar o tempo de cada um brincar no balanço antes de ceder a vez ao próximo recorrendo à contagem das “balançadas” ou a uma música ritmada.
Descobrir o volume de uma piscina de plástico usando a unidade balde.
Outro ponto importante é criar situações de comunicação em que seja necessário estabelecer um padrão para chegar à solução. Que tal encomendar a uma loja um pedaço de tecido para cobrir a mesa da professora? Dizer ao vendedor que o móvel mede quase cinco estojos de comprimento por três de largura não será suficiente para a compreensão do tamanho desejado.
Unidades padronizadas
Problemas de medida inter-relacionam o uso de números com questões de espaço e de forma
Nessa hora fica claro que é preciso partir para os padrões convencionados pela sociedade. Desde a Educação Infantil, as turmas que têm contato com calendários e relógios compreendem com mais facilidade como se dividem e se organizam as unidades de tempo (minutos, horas, dias, meses etc.). Também é interessante colocar as crianças em contato com balanças, trenas, copos dosadores etc. e ensinar a manipulá-los. Ao usar uma fita métrica para conhecer o comprimento, mostre a importância de coincidir a extremidade do objeto com o zero da fita, e não com o 1. Ou prestar atenção se o mostrador da balança se encontra no zero antes de pesar qualquer coisa.
A partir do 4º ano, os alunos são levados a compreender a organização dos sistemas de mensuração dos instrumentos – um trabalho que se aprofunda no 5º ano. Ao entender que mil gramas equivalem a 1 quilograma, que mil quilogramas são 1 tonelada e que mil mililitros, 1 litro, há a reflexão sobre a unidade mais conveniente para expressar o peso aproximado de um inseto ou de um caminhão. Afinal, repetir uma unidade mil vezes dá mais margem a erro. Cartazes com a tabela de equivalência do sistema métrico decimal (veja modelo abaixo) podem ficar disponíveis para consulta até o 5º ano.
As medidas e os racionais
“Grandezas e medidas são um tema integrador, pois conseguem interrelacionar o uso de números com questões de espaço e forma, como perímetro e área”, diz Mara Sueli Simão Moraes, professora a licenciatura em Matemática da Universidade Estadual Paulista, no campus de Bauru, em São Paulo. Ela ressalta que, além dos conteúdos específicos, há a possibilidade de explorar os números racionais – tanto em notação fracionária (1/2 metro, 1/4 de quilo etc.) como decimal (0,5, 0,25...): “Os alunos perceberão que nem sempre a unidade escolhida ‘cobre’ perfeitamente o objeto. Quando sobra uma parte, ela pode ser expressa em números racionais, ligados à divisão. Essa relação deve ser evidenciada pelo professor”.
Problemas de cálculo de área e perímetro são trabalhados durante o Ensino Fundamenral em três áreas da Matemática: na geometria, no campo multiplicativo (nas atividades de organização retangular) e também em grandezas e medidas (com metros quadrados etc.). “A partir do 4º ano, pode-se iniciar a apuração de ângulos, passando a trabalhar no 5º ano com conceitos e cálculos mais sofisticados”, afirma a consultora Priscila Monteiro. Só assim as grandezas e as unidades a elas relacionadas podem fazer sentido nessa etapa em que algumas fórmulas entram em cena.
Tabelas de conversão
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Milímetro (mm)
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Centímetro (cm)
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Metro(m)
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Quilômetro (km)
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1 000
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100
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1
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0,001
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10 000
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1 000
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10
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0,01
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100 000
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10 000
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100
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0,1
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1 000 000
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100 000
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1 000
|
1
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Para transformar
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em
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Multiplicar por
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Metros
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Pés
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3,281
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Metros
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Polegadas
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39,37
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Pés
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Metros
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0,3048
|
|
Pés
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Polegadas
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12
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Polegadas
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Metros
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0,0254
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|
Polegadas
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Pés
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0,0833
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