História
Quais foram os colonizadores da África?
Murilo Pena, São Paulo, SP
Vários países da Europa participaram da partilha da África, o primeiro momento de colonização do continente, que ocorreu entre 1880 e 1910 (veja o mapa ao lado). Somente dois países não foram colônias em nenhum instante: Libéria (que era um estado formado por escravos libertos dos Estados Unidos) e Etiópia (que foi dominada pela Itália entre 1936 e 1941).
Consultoria Luiz Arnaut, da Universidade Federal de Minas Gerais.
Quando o verbo tem dois particípios, há alguma regra que determine o uso de cada um?
Luize Brás, Recife, PE
Sim. O uso é determinado pelo verbo que antecede o particípio. Com os verbos ter e haver, devemos usar o particípio regular (marcado pelas terminações -ado ou -ido). Por exemplo: "Ele tinha salvado o arquivo" e "Ela havia prendido o dedo". Já com o ser e o estar, emprega-se o irregular: "Ele foi salvo por um herói" e "Os bandidos estão presos". Outros verbos, como aceitar, limpar, entregar e eleger, seguem a mesma regra (aceitado e aceito, limpado e limpo, entregado e entregue e elegido e eleito). Porém, para outros, como ganhar, pagar e pegar, a tendência moderna é o uso cada vez maior do particípio irregular (ganho, pago e pego, respectivamente) seja lá qual for o verbo antecessor. Por exemplo: "Ele havia ganho muitos presentes" e "Ele tinha ganho muitos presentes". Essa desobediência não consititui erro. É considerada pelos estudiosos um movimento natural da língua.
Embora tenha só um particípio, o verbo chegar também merece uma observação à parte. Muitas pessoas usam chego como particípio ("Eu tinha chego tarde"). Está errado. O correto é "Eu tinha chegado tarde". Chego é a forma da primeira pessoa do presente do indicativo ("Eu chego cedo."). Alguns gramáticos dizem que isso pode estar sinalizando a formação de um novo particípio. Pode até ser, mas ainda não é aconselhável falar ou escrever assim.
Consultoria Douglas Tufano, professor de Língua Portuguesa e autor de livros didáticos e paradidáticos.
Ensino Superior
Qual é a universidade mais antiga do mundo?
Sophia Lancel, São Paulo, SP
Latin Stock
SABER ORIENTAL A Universidade Al-Azhar foi criada em 998
Esse é um tema que ainda gera muita controvérsia entre os estudiosos. Na concepção moderna, a universidade surgiu na Idade Média e na Europa, o que classifica a Universidade de Bolonha, na Itália, fundada em 1088, como a mais antiga do mundo. Mas, ampliando a visão de mundo e considerando a cultura oriental, a Universidade Al-Azhar, no Cairo, ganha o título. Ela foi criada em 998 a pedido do vizir Yaqub para que o califa Aziz ministrasse instrução e alimentação a 36 estudantes da mesquita. Focada na Teologia e visando resolver os problemas entre a fé e a ciência, a instituição cresceu e atraiu mestres e alunos de todo o mundo muçulmano.
Consultoria Elisabete Pereira, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, Graziela Pachane, do Grupo de Pesquisa Interdisciplinaridade e Construção do Conhecimento, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, e Waldir Cauvilla, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.
Educação Infantil
É correto afirmar que irmãos gêmeos não devem estudar na mesma sala?
Fabiana Del Nero, Águas de Lindóia, SP
Sim. O ideal é que eles freqüentem espaços diferentes porque a escola é um lugar de construção de relacionamentos, onde ocorrem a formação do sujeito e o exercício de valores. É o local em que o ser humano aprende a lidar com sucessos e frustrações e conviver em grupo. Com tantos aspectos importantes e substancialmente individuais, fica difícil construir uma identidade própria com alguém do mesmo núcleo familiar e muito parecido fisicamente: as comparações entre um e outro serão constantes. A constituição como um ser único e pleno somente vai ocorrer de forma particular se os gêmeos estiverem em turmas diferentes. As experiências de cada um deles serão realmente exclusivas, principalmente na infância, etapa da vida recheada de sentimentos e lembranças.
Consultoria Liamara Salamani, coordenadora pedagógica da Educação Infantil do Colégio Santo Américo, em São Paulo.
Incentivar as crianças a revidar agressões
A razão que leva uma criança a agredir outra, verbal ou fisicamente, não é maldade pura, e sim a incapacidade de resolver a questão de outra forma. O mesmo se dá com o revide. Ao instruir que responda um tapa, uma mordida ou um xingamento na mesma moeda, o educador ajuda a conservar a justiça retributiva, comum entre 3 e 7 anos e em sujeitos que mesmo adultos são incapazes de eleger outras alternativas. Diferentemente da construção da autonomia, é firmado o conceito de heteronomia: a pessoa só obedece as regras quando lhe convém e se existe alguém que supervisiona. O correto é guiar os pequenos para que encontrem soluções civilizadas, que envolvam diálogo, porque não se bate em ninguém, ainda que se tenha apanhado. "Por que você deixou que seu colega batesse em você?" é uma boa pergunta a ser feita, pois ajuda a despertar em quem sofreu a agressão um sentimento precursor da justiça - a indignação - que vai auxiliar na busca de uma solução correta e na conquista da autonomia. A criança não deve ficar livre para fazer o que quiser. É papel do professor ajudá-la a pensar as possibilidades, antecipar os resultados de suas ações e compreender o valor de regras de convivência. A tolerância é necessária para que todos convivam em harmonia e a escola, que insere a criança no mundo público, tem de tê-la como um ideal.
Consultoria Luciene Tognetta, pesquisadora do Laboratório de Psicologia Genética da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas.
Reportagem de Beatriz Levischi
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